Tempo de recomeço!

Começo de novo ano escolar aqui, na Europa! Acabaram-se os quase três meses de férias de verão! Alívio para os pais que já não sabiam o que fazer com as crianças e adolescentes, neste tempo precioso, mas extenso!

Eu me lembro, como se fosse hoje, da minha experiência como mãe, neste quesito! O maior desejo de minha primeira filha, uma menininha com competência bem acima da média, era ir para escola. Compramos tudo que ela precisaria. Deixei-a escolher entre cores e modelos,  tudo que constava na lista de material, na hoje baladaladíssima livraria  “Leitura” que, à época  tinha preços bem mais razoáveis, pois fora inaugurada uns dois anos antes. Preparei tudo, carinhosamente e fomos para o “Raio de Sol”, escola que ficava há uns dois quarteirões de nossa casa e a melhor que podíamos pagar!  O meu coração educador e cheio de cuidados, sofria silencioso, apesar de que o ensino praticado ali era de acordo com o meu entender! Minha filhinha não cabia em si de contentamento e ansiedade e mal deu conta de almoçar… Me disse: – “vamos, mamãe, a professora e os coleguinhas estão esperando”! E fomos!

Quando chegamos na esquina, a mãozinha dela começou a apertar a minha e os seus passinhos diminuíram…

Na porta da escola estava Raquel, a diretora, que veio toda solícita! Coincidentemente e, principalmente por esta razão, eu levara a minha menininha para aquela escola! Ela fora minha ex-supervisora, numa grande escola modelo de Belo Horizonte! Além de gostar muito dela, era interesse da mesma, me mostrar que a sua escola era como a minha escola preferida. A professora foi chamada e tentou levar a minha menininha que, de entusiasmada já não tinha nada! A sua satisfação cessara à frente do portão e na recepção da mesma! Ela se escondeu atrás de mim e apertava as minhas pernas! Me abaixei frente a ela, olhos nos olhos e nada! Uniforme xadrezinho de azul e branco, saia pregueadinha e com um raio de Sol sorrindo no peitinho; por baixo levava uma camisetinha branca. Ela estava linda! Cabelinho cor de fogo solto e preso só nas laterais ou teria sido um rabinho de cavalo (?); isto não me lembro…

Tentei convencê-la com toda a minha conversa de mãe/professora de escola grande e que amava a profissão, mas nada! Olhos mais que azuis e aquela vermelhidão que ainda hoje a acomete quando chora…
Deixei-a ali aos gritos e o meu coração gritou também, de tristeza! Fiquei sozinha, encostada naquele muro chamuscado e amarelo chorando e detestando tudo! Vontade louca de pegá-la e levá-la de volta para a nossa casinha, mas eu sabia que ali era bom para ela e a sua socialização! Foram três dias de muito choro convulsivo em que ela gritava meu nome e eu a buscava mais cedo. No terceiro dia a tensão foi tanta que ela fez xixi… fui em casa buscar nova muda de roupa, com o meu coração na mão! Como ela não tinha noção de tempo fiquei parada na porta; aguardei um tempo e a levei de volta, para a nossa casa. Ali,  fiquei  abraçadinha com ela no sofá, vendo desenhos preferidos que já não me lembro mais quais eram… Daquele dia em diante, ela não mais chorou! Ao contrário, chorava muitas vezes, quando eu ia buscá-la!

Ter meus filhos em casa nas férias era a minha alegria! Eles eram crianças mansas,  serenas, boazinhas, obedientes e muito felizes! Vivíamos distantes de nossa família e nossos finais de semana eram com a “Taia”, prima do coração, a vovó Nhanhá e a Dindinha! Durante a semana éramos nós duas e a escola; a amiguinha Fernanda e sua mãe Wânia, a Eliane e suas meninas Patrícia e Andréa! Há trinta e nove anos, além da TV e as conversas à noite com as vizinhas queridas vendo nossos filhos a brincar, era o que nos bastava para sermos felizes!

* Para Juliana Santana de Paula a quem me dediquei por três anos e nove meses, antes de ter os seus irmãozinhos.

Regina.

Leiria, 16 de setembro de 2019.

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