Sinais do tempo…

Envelhecer é a coisa mais natural, quando temos a sorte e o privilégio de chegar até ele! No entanto é das artes a mais complicadas, pois não nos preparamos e nem aceitamos muito bem os sinais dos tempos… Não sei o que seria pior; ter um espírito que se mantém jovem ou deixá-lo envelhecer junto ao físico… Dentro de mim mora um espírito jovem, assessorado por Outro atemporal, aliado a uma menininha disposta a superar as desvalidas performance que o corpo sofre!

Apesar de nossos espíritos jovens, a idade marca presença! De repente, aquelas pernas tão disposta para as caminhadas e para dançar começam a ser trabalhadas, como se fossem um mapa azulado e em alto relevo de veias que, cansadas desejam explodir, provocando um estranho aquecimento que não me diz de adrenalina e nem prazer da realização de atos que antes faziam prazerosamente! Os ramificações do coração, dentro do peito se bloqueiam e descompassadamente, ele perde o ritmo cadenciado e uma taquicardia faz o ar se tornar escasso e nos leva a observar sinais, ficando alertas, sentindo inquieta a alma… Subir escadas, provoca uma leve dor que perturba os joelhos; se carregamos peso, o quadril que antes se mexiam harmoniosos ao ritmo de uma canção nos deixa receosos; se ficamos muito sentados ou deitados a  curtir o tempo merecidamente livre que temos uma dor na lombar nos faz acreditar que não mais conseguiremos realizar os complicados passos de uma dança; no rosto, a marca indisfarçável dos anos e uma investigação interna nos faz pensar: o que faremos? A mente que trabalha febrilmente para estar ativa nos manda sorrir! A gente verga, mas não se quebra, porque mais vale o espírito jovem e que não se desequilibra em meio ao tempo que corre célere!

Quando somos jovens não pensamos no tempo, como sinal de desgastes… estamos preocupados em correr de cá, para lá em busca de nossos ideais e sonhos. Bom teria sido, se tivéssemos investigado mais, para sabermos o que nos levaria a não mais desperdiçar segundos preciosos. Começamos na maturidade a saber que quereríamos ter tido toda a bagagem de informações, conhecimento e sabedoria adquiridos, lá nos dezoito, vinte anos…

Envelhecer é um ato de coragem e precisamos ser agradecidos, pois a genética pode, como no meu caso, nos beneficiar, apesar dos pesares.  Sou uma idosa jovem e levo a nomenclatura apenas no cronológico, de acordo com a menininha que preservei em mim. Acumulei muto conhecimento em vastas áreas, mas não sou uma tudóloga! Muitos ficariam bobos, se eu lhes contasse a gama de coisas nesta vida que não domino e nem me interesso, por saber! Entretanto, sou cautelosa e leio muito, estudo como toda boa autodidata e, por esta razão, daquilo que não domino, prefiro me eximir! Por ser uma construtivista nata, na educação e os conceitos no entorno dela, me debruço, apaixonadamente, para não terem a oportunidade de tripudiarem, sobre mim.
Solidifico em mim apenas o viável, confiável e seguro; o resto jogo fora, para não aumentar volume de rugas e marcas de expressão, a maioria, por muitas gargalhadas que dou.. Afora isto, gosto muito de ser coesa e não despertar nos outros, a ideia de que estou à procura de guerra, porque viver em paz, também, aumenta a nossa vida e reme o tempo.

Regina.

Leiria, 12 de agosto de 2019.

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