Lucidez…

Conversas entre mães sempre resultam em temas de sinceridade e muita clareza! Conversei com uma mãe que estava se sentindo um nada, um zero à esquerda, no íntimo de seu coração. Pensando nela e em tantas outras percebi que ser mãe é algo sublime e triste; delicado e cheio de amor incondicional!

Sim, que horrível deve ser a sensação de se ser pesado para um filho que foi educado na dualidade. Ela precisou ser mãe e pai e não foi nada fácil!
Sim, que triste deve ser, ter que aceitar o envelhecimento nesta dualidade que não mediu esforços e renúncias na tentativa de proteger… Sim, que tristeza há no coração da que se tornou mãe e pai, ao perceber que o objeto de seu amor se cansou… Entende que no passado já fez demais, por ela sem que lhe fosse pedido, exigido… Sim, que difícil deve ser o tolerar e entender que há que haver intervenção, quando a porção de amor é entendida num pedido, como sendo troca!

Cordialmente, a que se tornou dualidade no passado, se silencia frente a impaciência e a falta de respeito, por um passado que para o objeto de seu amor não foi bom, mas não por causa dela! Sim, que bom seria poder se lembrar dos muitos feitos desde os nove meses de espera na gestação, até todo amor demonstrado em gestos que fariam dos pedidos, insignificantes ofertas… Sim, ser mãe é ser dualidade nas atitudes, nas renúncias, nas escolhas e decisões, na difícil opção de silenciar conflitos e fragilidades! Onde estaria o pai?

Todos temos uma maneira diferente de pensar, assimilar e acomodar as coisas. Cada história de mãe traz em si a busca e o desejo de ser apenas vitoriosa, trazendo na bagagem mais acertos que erros. Entretanto, somos feitos de barro e as verdades alheias e de nossas maravilhosas porções diferem. E começa a se evidenciar a nossa inutilidade, no começo da degradação que vem do outro, ao antecipar e desnecessariamente, demonstrar uma dependência que não existe, quando a mãe, na dualidade achava que o que lhe era oferecido era uma linda maneira de retornar o que ofereceu!

É na falta de lógica que as feridas criam cascas que não querem se cicatrizar! O absurdo acontece quando o outro se acha inteiro e não percebe que possui feridas e precisa curá-las! E aí fere de maneira intrínseca…
Bom seria ajudar na cura, assim como lhe foi ensinado a caminhada, o alimentar, a nomenclatura de objetos à vista. Assim, no tempo certo, o necessário cuidado chegaria, sem ser peso ou sinônimo de contrariedades!

Uma mãe lúcida é capaz e se sente mal ao perceber-se menos do que deveria ser! Não há como intervir na dor mal curada do filho que se acha pronto, independente e não curou o profundo do profundo de seu coração! Aí, a mãe ainda lúcida anda mais uma milha e se oferece solícita! Estende, também, a outra face e entrega a capa, na expectativa de ajudar. Ela carrega a esperança de que, enquanto houver tempo, a ferida se feche e ela veja o seu filho são!

Regina.

Para você, minha querida Caticó!

Leiria, 18 de março de 2019.

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2 comments

  1. Que homenagem mais Linda. E a vida né Gi? Acomodando o coração e me aquietando ,tenho me sentido bem melhor tudo.Obrigada querida, por se importar tanto comigo
    TE AMOOOOOOO!!!!😘😘😘😘😘😘

    1. Ei, Norma!

      Que bom foi ver o seu comentário no meu blog.

      Você merece o melhor desta Terra. Deus sonda o seu coração e o conhece tão bem!

      Eu a amo, também; muito!

      Beijo meu.

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