Estávamos assentadas, juntinhas, em meu terrível sofá que nos joga uma para cima da outra, quando ela me confessou que queria tanto escrever algo, sobre mães…
Ela é a minha irmã caçulinha, uma das "Três meninas da mamãe!"
Quando questionada por mim , sobre a razão de não escrever, me disse que não saberia, mas que gostaria de falar sobre o que viveu ao lado de nossa mãe… Ela não saberia, mas eu sei!
Lembrar dela ao lado de nossa mãe é fácil e grato, já que nenhum de nós, jamais, poderá esquecer o que foi feito, por ela enquanto nossa mãe viveu… Seríamos injustos, todos nós, os filhos dela, se não reconhecéssemos o que nossa irmã fez de lindo! A sua abnegação e o abrir de mão da sua vida, quase se transferindo, para a casa de nossos pais, para cuidá-los, é incontestável e admirável!!!
Ninguém, em sã consciência, pode se levantar e dizer que fez o que ela fazia. As duas se amavam – tanto se acarinhavam quanto brigavam, pois só quem tem intimidade diária, pode se dar ao direito de abraçar e deixar de abraçar, como as duas faziam tão bem…
Quando se aproxima o "Dia das mães" (será que mãe tem dia?) bate uma saudade doída e boba na gente e, especialmente, nela que perdeu sua amiga de todas as horas, sua protetora e cuidadora, que a entendia e zelava também, pelos seus dois filhos, como ninguém!!! Não cabe aqui, mais nenhum ciúme, pois eu falando apenas por mim, não tinha como estar ali, para atender, cuidar, zelar, como a minha irmãzinha mais nova fez!!! É claro que muitos colaboraram de várias maneiras, mas como ela, ninguém!!!
A ausência de nossa mãe lhe faz imensa falta , pois mãe a gente não substitui, não tem como remediar, não tem como encontrar nem de perto, uma parecida, para voltar a cuidar! Nossa mãe se foi e, há longos onze anos, continua sendo assunto entre nós!!!
Esperamos relembrá-la, sempre! Eu, em particular, tenho certeza de onde ela se encontra: agarradinha, aninhada no colo de nosso Paizinho, escutando-Lhe as batidas do Seu enorme coração! E lá, onde está, não existem mais dores, cansaço, tristezas e preocupações, nem por nós e nem pelo futuro de sua caçulinha…
Nós daqui, nos lembramos dela, com renovado carinho e, na medida de minha insignificante presença, demonstro a minha gratidão à minha irmã, oferecendo-lhe meu afeto – é minha maneira de lhe dizer que jamais teria feito ou dado conta de me envolver, como ela se envolveu; não seria tão doadora… Sendo ela, também, uma mãe, minha homenagem, na verdade, não é para a nossa mãe… Não, pois ela hoje tem uma morada celestial. Minha honra é para minha "Caticó," como carinhosamente, a chamo e que, com seus cuidados adornou de amor, o coração da nossa amada mamãe.
Quem assim se doa só pode ser feliz e se sentir em paz, apesar de toda solidão que nos acompanha, pois nossos filhos cresceram e se foram…
Ela está aqui ao meu lado, caindo toda hora em cima de mim… Veio se doar mais uma vez, neste dia, para que eu me animasse a fazer "pasteizinhos portugueses" para meu filho.
Ela é forte e sensível. Sua linguagem de amor é serviço. Sei que nossa mãe não poderá fazer mais nada, por ela, mas torço para que se encontrem na eternidade! Enquanto isso não nos vem, como prêmio, minha oração é para que Deus capacite minha irmãzinha a se sentir amada e apreciada por mim e por meus filhos, pois jamais esqueceremos, nem no dia comercial dedicado às mães e em nenhum outro dia de nossas vidas que ela foi, por um bom tempo, a boa mãe, amiga e companheira de nossa mãe…
Regina.

Belo Horizonte, 01 de maio de 2012.
Regina Celi de Santana é educadora, com especialização na área de Educação infantil, com mais de 40 anos de experiência. Autodidata, mãe de três filhos e vovó orgulhosa de seus dois netinhos: Gabriel e Kauã!! Após se aposentar se tornou uma culinarista e é proprietária da "Cia Sabor e Arte", em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais.